
Desde o dia 20 de março estamos no outono, período do ano que os avicultores devem iniciar os cuidados à espera do inverno, época crítica para manutenção da ambiência nos aviários. Se no verão há preocupação em fugir das altas temperaturas, especialmente a partir do 15º dia até o final do lote, no inverno a atenção se volta para os maiores cuidados que requerem os pintos, pois esses carecem de temperaturas entre 30 e 33 graus para que seja garantido o seu bem-estar. Outra diferença que faz com que os cuidados no frio sejam diferenciados é por conta da maior dificuldade em se manter a qualidade do ar. “No verão a renovação do ar é feita mais facilmente, com manejo de cortinas e exaustores, enquanto por outro lado, no inverno, essas estratégias, se não forem utilizadas adequadamente podem fazer cair a temperatura dentro do aviário, e se não fazer a ventilação mínima, o ar fica comprometido acarretando em vários problemas”, explica o médico veterinário da Copagril Fabio Junges.
De acordo com Fábio, a qualidade do ar está em primeiro lugar num tripé de cuidados que o avicultor deve ter no manejo de inverno. Depois, sim, é que vem a manutenção da temperatura. Na verdade, pontua o profissional, o produtor precisa estar atento para garantir uma boa qualidade do ar em temperaturas agradáveis e suportáveis pelas aves. “E muito produtor age ao contrário. Se preocupa somente em manter os índices de temperatura e não dá a devida importância à qualidade do ar”, alerta. Essa atitude do avicultor, pontua Fábio, na maioria das vezes visa a economia na lenha que alimenta o aquecedor. “A ventilação deixa entrar mais frio e, em contrapartida, vai necessitar acréscimo de cuidados com o aquecedor. Mas essa economia pode custar caro”, destaca.
Amônia
A primeira consequência de não adotar um manejo de ventilação mínima, cita o veterinário da Copagril, é o aumento na umidade da cama e a elevação dos níveis de amônia. Vários são os efeitos negativos dessa combinação, e Fábio Junges cita alguns. Ele explica que a amônia em excesso no ar pode provocar lesões na retina da ave, que não abre mais os olhos. Com isso, deixa de beber água e se alimentar corretamente, ficando condenada e indo a óbito. A amônia também é responsável por provocar irritações no organismo dos animais, tornando-o mais sensíveis e suscetíveis a doenças. “Os frangos também podem perder peso, reduzindo a uniformidade do lote. Além disso, a umidade da cama vai colaborar para o aumento na incidência de calos de patas. Há uma série de problemas que podem surgir só a partir do excesso de amônia no ar do aviário. E não precisa ser um descuido longo do produtor, às vezes, a mínima displicência pode acarretar em consequências”, cita.
Ventilação mínima
Para fugir dos problemas, então, o produtor rural deve adotar o manejo da ventilação mínima, que, conforme Fábio, determina o número mínimo de trocas de ar necessárias para manter saudável o ambiente do aviário. A partir desse princípio, relata, é possível fornecer oxigênio para atender à demanda das aves, controlar a umidade relativa e também manter a cama em boas condições. “O avicultor deve objetivar sempre, com a ventilação mínima, fornecer ar de boa qualidade e em baixa velocidade para todas as aves. O período mais crítico é entre os 10 a 15 primeiros dias. Podemos comparar o pintinho com uma criança, que sofreria permanecendo num ambiente fechado, com uma temperatura adequada, mas com o ar comprometido”, compara o veterinário, lembrando que é preferível a temperatura levemente menor combinado com um ar de qualidade do que uma temperatura adequada mas com o ar totalmente inapropriado.
Manejo
O manejo da ventilação mínima, explica Fábio, é temporizado no painel do aviário. As entradas de ar devem ser controladas por ciclos de no mínimo cinco minutos e nunca excedendo a dez minutos, dos quais, os exaustores devem funcionar durante pelo menos 20% desse ciclo. Dessa forma, em um ciclo de dez minutos, por exemplo, os exaustores devem ficar ligados dois minutos e permanecer o restante desligado. “Quando o ar começa a se deteriorar, os exaustores devem ser regulados para funcionar durante uma parte maior de cada ciclo. Cada avicultor deve ter a sensibilidade da necessidade desse controle, tomando como princípio a busca de uma boa qualidade de ar em temperaturas que não prejudiquem as aves”, completa o médico veterinário.
Mesmo utilizando esse sistema, orienta o veterinário, é preciso que nos primeiros 14 dias a velocidade do ar entre as aves seja a menor possível. “O período mais importante da vida das aves é após a incubação, quando ainda estão no galpão da recria, nos primeiros dez dias, quando os sistemas cardiovascular, respiratório e imune e a estrutura esquelética estão se desenvolvendo rapidamente”, justifica o técnico.
Conselho
O médico veterinário reforça o conselho de que a prioridade nos aviários deve ser dada à qualidade do ar e depois a temperatura ambiente. É preciso encontrar a adequação entre um bom sistema de ventilação mínima, sem que a velocidade do ar entre as aves seja demasiada, e uma temperatura agradável. “Dessa forma vamos garantir uma melhor performance do lote, pois a saúde das aves será melhor, refletindo em ganho de peso e conversão alimentar, ou seja, um melhor desempenho”, reforça.
Uma última orientação de apoio ao avicultor é a possibilidade de utilização de um dessecante na cama no intervalo dos lotes, o que melhora a sua qualidade.
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