
A alimentação representa cerca 70% do custo de produção na avicultura. A partir disso, levando em conta que o aumento no volume dos estoques de milho – principal ingrediente da alimentação das aves – tendem a aumentar, consequentemente, pressionando os preços para baixo, os avicultores esperam que também seus custos de produção sejam menores. Além disso, avalia o consultor, ex-secretário de Agricultura do Paraná, doutor em Economia Agrícola, Eugênio Stefanello, o avicultor também pode pensar em ampliar um pouco a produção em 2010. “O mercado acena para uma possibilidade de ampliação em até 5%. É pouco, mas é um alento que representa a recuperação de mercado”, pondera.
O especialista expõe que a avicultura em 2009 teve praticamente a mesma produção do ano anterior, perto de 11 milhões de toneladas de carne e a exportação também foi equivalente a 2008 - 3,6 milhões de toneladas. Contudo, os preços foram menores que em 2008. “Para 2010 a economia mundial está se recuperando. No ano passado caiu cerca de 1,5% e este ano deve crescer em torno de 2 a 3%. Com a economia mundial crescendo, o Brasil exporta mais. Além disso, a economia brasileira deve crescer neste ano 5 a 6%, o que aumenta também a renda e consumo interno”, expõe. É considerando esse crescimento que Stefanello acredita que o produtor de frango poderia ampliar a produção em até 5%, que ainda encontraria mercado. “Mais que isso não há demanda e cairia preço significativamente”, reflete, avaliando que os preços internacionais devem ser um pouco melhor do que em 2009. Ele acredita, ainda, que o consumo interno também tende a ser maior em função da projeção de um aumento de renda das pessoas.
Exportações
Apesar das melhoras no mercado internacional, pontua Stefanello, os brasileiros ainda não devem esperar exportações aquecidas nos mesmos níveis de 2007, 2008 antes da crise econômica mundial. “Em 2009 o Brasil exportou muito menos devido à retração da economia mundial”, lembra.
Avaliando o panorama econômico, Eugênio Stefanello observa que, no ano passado, o Brasil teve um saldo na balança comercial de US$ 25 bilhões, enquanto exportou US$ 150 bilhões, números menores que os de 2008, quando foram exportados o equivalente a US$ 198 bilhões. Para este ano, continua, as exportações devem ficar entre US$ 160 a US$ 170 bi - menor que 2008, mas melhor que 2009. “O saldo da balança comercial do Brasil deve ficar menor do que 2009 porque em a economia crescendo, as importações aumentam e a taxa de câmbio como está não favorece as exportações”, explica.
A expectativa é de que o saldo na balança comercial seja em torno de US$ 10 bilhões. “Essa situação se deve em parte ao câmbio, que está afetando a exportação de produtos industrializados, tirando competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional”, acrescenta.
Salvo pelo agronegócio
Eugênio Stefanello detalha que o agronegócio, no ano passado, exportou US$ 65 bilhões com saldo de US$ 55 bi. “Isso significa dizer que se não fosse o saldo do agronegócio, o Brasil estaria liquidado em termos de balança comercial”, menciona, informando que a perspectiva é de que as exportações do agronegócio fiquem maiores que os US$ 65 bi, chegando próximo de US$ 70 bi, ainda um pouco abaixo que os níveis de 2008. “O crescimento econômico é um pouco mais lento do que antes da crise, e 2010 é um ano de recuperação. Por isso o produtor deve ter cuidado e produzir o equivalente ao que o mercado absorve e o que for possível exportar”, orienta.
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