
A recuperação dos preços do setor avícola foi um dos destaques do agronegócio em abril. Segundo os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), as cotações do frango tiveram sustentação na alta de preço das carnes bovina e suína.
O levantamento do Cepea mostra que em abril o frango vivo valorizou-se 10% no interior, ajudando a compensar os custos de produção. O milho, por exemplo, subiu cerca de 6% no mesmo período. Para o frango abatido resfriado, a alta ultrapassa também os 10%.Um aspecto importante é o de que os aumentos ocorrem mesmo com a elevação da disponibilidade interna. No primeiro trimestre de 2008, o volume de carne aumentou 11,4% em relação ao mesmo período de 2007. Os dados do Cepea mostram que em março deste ano a disponibilidade interna do produto chegou a 643.900 toneladas. Mesmo com a exportação crescendo 8%, de fevereiro a março, houve uma produção maior naquele mês, o que atingiu de maneira negativa as cotações dos primeiros dias de abril. Em março foram produzidas 926.500 toneladas de carne de frango, volume recorde em 2008.
Atenção
Os técnicos alertam que o setor deve ficar atento aos números de produção. Dados da Associação dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco), referentes a março, confirmam crescimento do setor avícola para os próximos meses. Segundo o Cepea, em março a produção atingiu 441,1 milhões de cabeças de pintos de corte, volume 3% maior que o de fevereiro deste ano e 4,2% superior ao de março/2007.
Apesar da reação, preço do frango ainda está defasado
No último dia 05 de maio, cristalizou-se a expectativa reinante no setor avícola desde o final de abril: o frango vivo comercializado no interior paulista obteve um ajuste de cinco centavos, sendo negociado por R$1,50/kg, o que equivale dizer que após quase 120 dias retornou ao preço praticado, por curto espaço de tempo, em janeiro deste ano. Porém, em relação ao valor de abertura de 2008 (R$1,65/kg), prevalece uma defasagem de 9%. Isso, em valores nominais, porquanto levada em conta a inflação oficial ou, principalmente, a “inflação do milho”, as perdas reais são bem maiores, mantendo o preço recebido ainda aquém do custo de produção.
Apesar da prevalência do prejuízo, alguém menos avisado poderia argumentar que o setor não tem do que reclamar, pois a nova cotação, de R$1,50/kg, é quase 43% superior à vigente há um ano, nesta mesma época. Nesse caso é oportuno esclarecer que, então – em conseqüência de um desses inexplicáveis movimentos que comumente afetam o mercado – o preço do frango vivo caiu ao menor nível de 2007 (R$1,05/kg). Especulação? O fato é que, após quatro dias com essa cotação, o produto registrou valorização de 33% em apenas cinco dias e, pouco depois do Dia das Mães, voltou a recuar quase 20%, fechando maio com nova valorização de 17%.
Há risco desse comportamento se repetir também em maio de 2008? À primeira vista não, pois, hoje o mercado trabalha com a perspectiva de - mesmo passado o Dia das Mães manter-se o atual equilíbrio entre oferta e procura graças à redução (prevista, mas ainda não confirmada) na produção de pintos de corte de abril. Além disso, outros fatores – como a queda das temperaturas no Centro-Sul e uma retomada geral no consumo de alimentos – acenam com a possibilidade de continuidade da atual firmeza de mercado e para novos ajustes de preço.
Fonte: O Presente Rural
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