
O que se percebe neste primeiro semestre de 2008 é uma certa instabilidade do mercado avícola, tanto no Brasil quanto no exterior. Os motivos são muitos. A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (ABEF) e o próprio Sindicato e Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Sindiavipar), inclusive, recomendaram às empresas e cooperativas a redução em 10% da produção. Com isso, pretendia-se evitar quedas no preço e possível crise no setor.
Conforme o diretor-presidente da Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel), Dilvo Grolli, em 2007, o mercado avícola cresceu 10% no Brasil. Para este ano, a previsão era acima de 12%. “Mesmo com essas orientações para retração, o setor vai manter sua expansão. Pode não ser tão grande, mas há muitos projetos em andamento e empresas estabilizadas que não vão parar”, aponta.
Para Grolli a avicultura, em todos os ciclos do mercado, está superando uma fase difícil. “Mas graças à força que tem, está superando muito bem. Além disso, o mercado começa a se regularizar com relação à oferta e a demanda”, aponta.
Diferencial
Na opinião de Dilvo Grolli, o Oeste do Paraná supera essa fase com maior tranqüilidade que outras regiões do país. Ele aponta que a região tem todas as características que fazem dela uma das melhores áreas para o crescimento do setor avícola: grande produção de soja e milho; boa estrutura viária, é formada por maioria de propriedades com menos de 50 hectares, favorecendo a criação de pequenos animais, como as aves; tem mão-de-obra disponível, tecnologia e um clima também favorável. Soma-se a isso o fato do Paraná ter um porto para facilitar a exportação dos produtos. “O Oeste e Sudoeste são referências em avicultura. Do Oeste sai 40% do frango produzido no Paraná. Aqui se despertou antes para atividade e sua viabilidade”, analisa o presidente da Coopavel.
E, segundo Grolli, a produção tende a crescer, porque as empresas e cooperativas instaladas na região e no Paraná já têm mercado formado e sua credibilidade está abrindo ainda novos mercados. “O frango é a segunda carne mais produzida no mundo, são cerca de 70 milhões de toneladas. O consumo tem aumentado nos últimos cinco anos cerca de 13,5%. Então, se fizermos uma projeção para 2015, percebe-se que essa produção tem espaço para crescer, porque serão necessárias pelos menos mais 20 milhões de toneladas de carne”, avalia. Mas ele esclarece que essa ampliação só é possível quando feita de empreendimentos estruturados como os mantidos pelas cooperativas e grandes empresas, que têm um amplo envolvimento de produtores rurais integrados e atuam também nos demais setores que não seja só no abate (fábrica de rações, produção de pintainhos, matrizes, etc).
De olho nos EUA
A Coopavel atua hoje com exportação de praticamente 50% do que produz. A metade da produção já tem colocação certa no Brasil. Os países para onde seguem os produtos da cooperativa ficam, principalmente na Ásia, Oriente Médio e Europa. Para surpresa, Dilvo Grolli aponta que a América do Norte pode ser um futuro mercado promissor, para exportação do frango brasileiro. Os Estados Unidos da América são um dos grandes exportadores de frango, contudo, com custo maior do que o produto brasileiro. “E assim, o nosso produto acaba se tornando mais viável”, explica.
A China, segundo Grolli, também está no alvo de todos os setores exportadores de alimento, que não só o frango. “Com a industrialização do país, aumentou a renda das pessoas e o consumo e, por outro lado, reduziu a produção no campo. Assim, se torna um importante mercado”.
Oscilação
O diretor-presidente da Copagril de Marechal Cândido Rondon, Ricardo Chapla, observa que, apesar da instabilidade e da recente retração do mercado avícola, não há motivos para pessimismo. “Diferente de outras regiões do país, o Oeste tem várias cooperativas e empresas fortes, estabelecidas. Por aqui não se pode pensar em retração, por enquanto. Há muitos projetos já viabilizados em andamento, como é o caso da ampliação da Unidade Industrial de Aves da Copagril, que deve ser concluída até o final do ano. Isso tudo não pode parar”, pontua.
Conforme Chapla, o mercado avícola está passando por um período de oscilação, que pode acontecer em qualquer setor. “A diferença está no fato de que, quem tiver estabilidade e está preparado vai superar com bastante tranqüilidade, bastando apenas administrar bem a situação”, destaca.
A produção da Copagril, em termos financeiros, está voltada à exportação em 70%. Por outro lado, aponta Chapla, se for avaliar em quilos de carne, a distribuição é quase igualitária. “Por isso tornou-se bastante interessante a exportação. E, justamente quem está qualificado para exportar tem maior estabilidade. Há muito abatedouro no Brasil que só tem credenciamento para o mercado interno”, observa.
Atualmente, a Copagril exporta para 17 países. Um volume maior tem sido colocado na União Européia, principalmente na Alemanha e Holanda. No mercado interno, os produtos estão praticamente em todos os Estados. “O mercado interno também é bastante amplo e ainda tem muito espaço. Temos muitos abatedouros no Brasil que não estão credenciados para exportar.
O que há de melhor na avicultura está na nossa região, em todos os aspectos, desde a tecnologia até a sanidade. Com isso, temos mais qualidade e, portanto, maior vantagem”, aponta o presidente da Copagril.
Chapla deixa bem claro que a Copagril não vai reduzir a produção. “Vamos manter nosso cronograma de crescimento”, sinaliza.
Por fim, Ricardo Chapla avalia que não se pode afirmar que há excesso de produção, até porque ainda existe uma demanda muito grande, e nem mesmo retração. “A gente precisa administrar nessa oscilação de mercado, apenas isso”, resume.
Valor agregado
O gerente de Divisão da Agroindustrial Lar, de Medianeira, Jair Meyer, aponta que o Paraná e a região Oeste mantêm o franco desenvolvimento na avicultura, mesmo em momentos de instabilidade de mercado, porque as cooperativas e empresas do setor têm conseguido agregar valor a seus produtos. “O Objetivo é agregar valor à produção agrícola, ou seja, ao invés de vender grãos de milho ou soja, busca-se usar estes grão como insumos e produzir carne de frango para venda”, aponta. O fato da região ser grande produtora de grãos colabora, ainda, diz Jair Meyer, para suprir a cadeia avícola, com custos de produção mais ajustasdos à realidade de preços finais do produto. “Assim, oferecemos qualidade e bons preços, tornando nossos produtos mais competitivos. Regiões mais distantes acabam por sofrer o impacto no custo de produção por terem que comprar de fora os grãos que suprem essa cadeia produtiva”, aponta.
Meyer comenta que o setor avícola na região está em plena expansão pela razão das empresas acreditarem que podem ser competitivas na cadeia produtiva e com isso ocupar espaço tanto no mercado nacional, como no mercado internacional, que é hoje o grande foco de quem estáinvestindo no setor.
Mercado diferenciado
Outra diferença, aponta o gerente, é que as empresas e cooperativas da região também oferecem qualidade. Assim tem como foco mercados diferenciados e mais exigentes do cenário internacional, diferenciando sua atuação em relação a maioria dos frigoríficos.
A exportação é uma das grandes vantagens das empresas das regiões Oeste e Sudoeste apontada por Jair Meyer. E, questionado sobre os investimento que ainda podem ser feitos no setor, Jair afirma que é difícil precisar até onde vão e destaca que é preciso bom senso e cautela. “Pois isso vai garantir a rentabilidade da cadeia produtiva, se a demanda continuar crescente, e o cenário demonstra isto para o curto e médio prazo, acreditamos que os investimentos atuais terão seu retorno garantido”, avalia.
Setenta e cinco por cento da produção da Agroindustrial Lar são exportados para mais de 20 países; os principais mercados estão concentrados na Europa e Japão. “E não há menção de retração, pelo contrário, as perspectivas para este ano são boas, o aumento dos grão tem puxado os custos da cadeia de produção, porém o mercado também responde no cenário internacional com preços melhores”, conclui.
Fonte: O Presente Rural
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