Especial Aves

Área plantada pode diminuir, mas NÃO DEVE FALTAR milho em 2009

07.11.2008
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Presidente da Apromilho: Alexander Augusto Mittelstadt: "No Paraná se diz em queda de 5,6% de área plantada com milho. Mas isso está acontecendo pela dificuldade de crédito e alto custos"
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Aprovação de novas variedades transgênicas anima produtores de milho. Empresas podem não estar preparadas para receber os OGM

As entidades organizadas do setor e os produtores de milho do Paraná e todo Brasil ainda comemoram a liberação do plantio de milho transgênico e, mais recentemente, a aprovação de mais duas variedades de sementes geneticamente modificadas. Para o presidente da Associação Paranaense dos Produtores de Milho (Apromilho), Alexander Augusto Mittelstadt, as liberações são muito importantes para o setor porque dá oportunidade ao produtor de escolher o que é melhor para si. “Essa liberdade com o tempo impacta no custo, na produtividade, na qualidade grãos e, com certeza, é um grande salto pra melhor”, avalia.
Com o plantio de milho transgênico, também se espera que o impacto na diminuição de área plantada com o grão, prevista para o Paraná, não gere grande impacto.  “No Paraná se diz em queda de 5,6% de área plantada com milho. Mas isso está acontecendo pela dificuldade de crédito e alto custos de implantação da lavoura. É possível que a impactação dessa redução seja menor com a utilização do transgênico, mas isso somente a partir da safrinha 2009”, pondera.
O presidente da Apromilho lembra que com os critérios de renegociação de dívidas rurais que estão sendo aplicados, o produtor está com dificuldade de acesso ao crédito. “O governo anuncia que está liberando recursos para financiamento agrícola. Contudo, esse dinheiro pouco está chegando ao produtor, que pode optar em reduzir a tecnologia de manejo da lavoura e, conseqüentemente, poderemos ter uma produtividade menor do que se previa já agora na safra de verão”, explica Mittelstadt.”, lamenta.

Transgênicos
Por outro lado, Alexander Mittelstadt comemora a liberação de plantio de milho transgênico e de novas variedades de sementes, que agora são cinco ao todo. “O produtor vai ter que analisar os prós e contras. Se de um lado há possibilidade de diferencial de preço para quem plantar milho convencional, os geneticamente modificados (GM) reduzem o custo de manutenção, como por exemplo na eliminação da lagarta de cartucho, que é um grande problema hoje. É um nicho de mercado que cresce muito em todo o mundo e é justo que o produtor brasileiro também possa optar”, pondera o presidente da Apromilho.
Contudo, na opinião de Mittelstadt, cinco variedades ainda é muito pouco para o Brasil, um dos maiores produtores de milho do mundo. “É só um começo porque ainda estamos muito atrasados se comparados a outros países da América Latina que já plantam OGM”, diz. Ele destaca, ainda, que para a primeira safra com milho transgênico pode faltar semente para a demanda, bem como observa que nem todas as cooperativas e empresas receptoras de grãos estão preparadas para receber o milho transgênico. “O reflexo na primeira safra deve ser pequeno porque o mercado ainda não dispõe de quantidade satisfatória de semente. Também é preciso tempo para as empresas e cooperativas se organizarem para receber o grão modificado”, continua o dirigente de classe, prevendo que para a safrinha 2009, o panorama deve ser diferente, ampliando a área com milho transgênico.

Perspectivas
Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Odacir Klein, a liberação do milho transgênico para o Paraná e de novas variedades para o país representa um grande passo do Brasil para se tornar o principal produtor de alimentos do mundo, com potencial para superar o fornecimento internacional dos Estados Unidos e Argentina. “Além disso, mais variedades disponíveis no mercado significam mais opções para o produtor, que agora pode escolher entre plantar milho transgênico, milho convencional ou ambos, de acordo com suas necessidades e estratégias. O produtor brasileiro, finalmente, está livre para escolher o que plantar”, comemora.
No entanto, Klein reclama que cinco variedades ainda é muito pouco para o potencial do país. Na Argentina, os produtores dispõem de dez variedades de milho transgênico, enquanto os americanos têm 24 opções diferentes. “Para que o milho brasileiro possa ser realmente competitivo, é preciso que existam condições equivalentes para os produtores brasileiros”, admite.
Para a próxima safra, as perspectivas de produção de milho são satisfatórias, garante o presidente da Abramilho. A Companhia Nacional de Abastecimento prevê cerca de 56 milhões de toneladas no Brasil. Quanto ao milho transgênico, ainda não é possível fazer avaliações, já que começou a ser plantado agora e ainda não se sabe se as fornecedoras de semente poderão atender a demanda e nem todas as cooperativas e empresas privadas se prepararam para o novo panorama. “Precisamos esperar a colheita da primeira safra”, pontua Klein.

Redução
O presidente da Abramilho reconhece que realmente pode haver uma diminuição da área plantada com milho nesta safra de verão. Isso estaria acontecendo, justifica, devido a uma frustração em relação aos níveis de exportação de milho comparado ao ano passado. Ele aponta, ainda, que há uma grande alta dos custos de produção aliada a uma restrição de crédito, motivada pela crise internacional. “Primeiro o produtor não está tendo acesso ao crédito como seria necessário e fica descapitalizado, tendo que arcar com um custo de produção muito alto. Assim, muitos optaram por migrar para o soja ou outra opção”, comenta.
Apesar disso, a redução é muito pequena, avaliam os especialistas e não compromete o abastecimento de milho no Brasil. “Estamos atentos às condições de abastecimento interno, em conjunto com os demais integrantes da cadeia do milho (indústria, criadores de suínos e avicultores). Além disso, provavelmente acumularemos maior volume de estoque de passagem em relação à safra de  2008, motivado pela atual redução das exportações”, conclui Odacir Klein.

Fonte: O Presente Rural

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