Especial Aves

Tem frango caipira no quintal dos produtores

10.02.2009
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O Label Rouge fisicamente se destaca pelo pescoço pelado e no paladar pelo sabor diferenciado. Foto: Luciany Franco
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Cooperativa de Agricultura Familiar, com apoio do Capa, Itaipu e prefeituras, investe em projeto de frango caipira para oferecer diversificação aos produtores

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Há produtores que devido à falta de espaço ou mesmo de recursos não se adequam às exigências de empresas e cooperativas integradoras para implantar aviários de frangos de corte, que são as aves tradicionais para industrialização. Foi pensando nesses produtores que a Cooperativa da Agricultura Familiar de Marechal Cândido Rondon (Cooperfam), junto com o Capa, iniciou o projeto de desenvolvimento e implantação da criação de frangos “diferenciados” e de um abatedouro na região. A iniciativa, depois, recebeu adesão da Itaipu Binacional e também das prefeituras, já que a proposta abrange os municípios de Marechal Cândido Rondon, Mercedes, Nova Santa Rosa, Quatro Pontes e Pato Bragado.
Conforme a engenheira agrônoma Simone Grisa, coordenadora do projeto, a primeira decisão a ser tomada foi a escolha da raça a ser implantada. A escolhida foi a label rouge.

A raça
O frango caipira label rouge é uma ave proveniente da França. Tem coloração mista e sua principal característica física é o pescoço pelado. É muito rústica, pode ser criada em sistema semi-confinado. Sua carne é mais rígida e o sabor diferenciado é que garante o seu sucesso no prato dos consumidores. Simone observa também a precocidade e a infinita possibilidade de alimentação das aves como fatores primordiais para ser a escolhida. “A idéia é usar o mínimo possível de ração, produzida a partir do milho, e utilizar pasto, cana, sobras de alimentos, frutas, cereais, batata,  abóbora e outros”, informa.
A profissional observa que o label rouge, da maneira como estará sendo implantado em Marechal Cândido Rondon não pode ser considerado puramente caipira porque os seus pintainhos são híbridos.

O projeto
O projeto de implantação de criação do frango diferenciado, expõe a engenheira, visa contemplar pequenas propriedades, com baixo investimento em estruturas físicas. É possível aproveitar chiqueirões ou outras estruturas desativadas. “À noite elas se refugiam e durante o dia preferem pastar e ficar à sombra ao ar livre”, destaca.
A idéia é envolver em torno de 15 criadores, que teriam, em cada lote, cerca de 500 aves. Respeitando o período de vazio sanitário entre o abate e o alojamento, com esses números seria possível manter o abate de 500 frangos por semana. O abatedouro está sendo implantado através do próprio projeto.
Os recursos para equipamentos do abatedouro têm sido viabilizados pela Itaipu, Capa e Prefeitura de Marechal Cândido Rondon. O produtor entra com os investimentos nas estruturas de sua propriedade e compra dos pintainhos.

Mercado
Simone Grisa comenta que a intenção é comercializar a produção nos próprios mercados de Marechal Rondon e região. Para que isso aconteça, a Cooperfam aguarda a liberação da Vigilância Sanitária e dos demais órgãos. “Também estamos em busca de uma marca para garantir qualidade ao consumidor. Tem produtor que vende frango convencional como caipira. A marca e o registro sanitário vão facilitar a diferenciação”, cita.
O frango caipira, explica a profissional, busca um público segmentado. “Na nossa região há uma tradição em fazer ‘galinhada’, macarronada, molhos para polenta e outros pratos que precisam de frango e o sabor diferenciado do caipira contam a favor para apreciação do label rouge”, pontua.

De olho nos lucros
O rondonense Pedro Lermen, morador do Arroio Fundo, quando comprou a propriedade conheceu o label rouge com o antigo proprietário. Através do Capa participou de cursos e palestras para saber mais sobre a raça. E tem mantido lotes experimentais, cujas aves utiliza para o consumo próprio e comercializa informalmente para familiares e amigos.
Ele destaca que, apesar do preço do pintainho ser superior ao do frango comum, o custo de manutenção é menor e o preço final também é mais atraente, podendo chegar a R$ 6 o quilo.
A ave é abatida aos 90 dias com um peso médio de 2.5 Kg. “Com o projeto aprendemos que é preciso ter cuidado com a alimentação da ave e prazo certo para o abate, porque isso reflete no sabor da carne e também na saúde do consumidor”, diz.
Na propriedade de Lermen, de 14 alqueires, sendo oito de pastagem, os frangos aproveitam o pasto logo pela manhã e recebem farelo de milho, soja e outros alimentos. “A gente percebe que eles têm uma resistência maior que o comum”, acrescenta.
Para o produtor, que na propriedade também tem suínos e gado de corte, o projeto está gerando uma grande expectativa. “Sempre estamos em busca de uma atividade viável e rentável. E o frango caipira me parece uma boa alternativa”, conclui.

Fonte: Jornal O Presente Rural

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