
Quando se fala em biossegurança e qualidade da água, necessariamente é preciso tratar da limpeza dos reservatórios e caixas d’água que abastecem os aviários. “Não adianta o produtor ter o poço artesiano ou ter água de rede, se não faz a limpeza periódica dos reservatórios”, alerta o médico veterinário da Copagril, Adrian Fernandes.
Segundo ele, o avicultor deve lavar a caixa de mil litros a cada troca de lote (vazio sanitário) e a de 20 mil litros anualmente ou, quando necessário a cada seis meses. “Quando a água é da rede, os reservatórios se mantêm mais tempo sem sujidades. Agora, água de mina e poço artesiano necessitam essa manutenção pelo menos a cada seis meses para os reservatórios de 20 mil litros”, explica Fernandes. Durante a limpeza, o técnico orienta o produtor a usar uma buchinha em caso de caixas ásperas e um pano nas lisas. Conforme o caso, durante a limpeza pode ser utilizado o hipoclorito de sódio ou ácido acético (vinagre), que destroem as possíveis bactérias existentes.
Consequências
A consequência da falta de limpeza das caixas d´água é o entupimento de canos e bebedouros. “Se chegar a esse ponto é porque o estado é crítico”, alerta Fernandes. A limpeza incorreta da caixa também pode levar a sujidade para a saída de água e, posteriormente aos bebedouros. “A ave come porque bebe, e não ao contrário. Se ela refugar a água, beber menos ou consumir água sem qualidade não vai se alimentar direito e, consequentemente, vai comprometer seu desenvolvimento”, pontua o veterinário.
Outro grande problema, se não o maior, citado por Adrian Fernandes é o sanitário. A presença de matéria orgânica e bactérias podem causar infecções ou contribuir para o agravamento de alguma já existente. “As infecções podem se agravar e provocar a refugagem excessiva e até mesmo a mortalidade excessiva, conforme a bactéria presente”, explica.
Potabilidade
O médico veterinário enfatiza que a água oferecida às aves precisa ter, necessariamente, a mesma potabilidade que para o consumo humano. “Se o produtor não se preocupar com isso, ele pode não perceber perdas, mas com certeza está deixando de ganhar mais”, expõe.
Pensando em evitar as perdas e oferecer condições de um bom desenvolvimento para seu plantel, o rondonense Tadeu Lewandowiski, do distrito de São Roque, tem mantido a rotina de uma série de cuidados com a qualidade da água que chega até às aves. As caixas d´água são limpas religiosamente nos prazos definidos pela assistência técnica. “Quando tínhamos água da rede, o reservatório era limpo a cada ano, agora, fazemos isso conforme avaliamos ser necessário. Se a água for boa pra mim, é boa para os frangos”, enfatiza.
Além da limpeza das caixas de mil litros, a cada troca de lote, Lewandowiski esvazia o reservatório de 20 mil, no momento do alojamento, para garantir que as aves estarão recebendo água fresca. “Água parada pode acumular bactéria”, deduz. Ele também está organizando o sombreamento em volta dos reservatórios, para colaborar que fiquem em temperatura mais amena. Uma outra sugestão do produtor é, depois de 14 dias de vida das aves, acrescentar na caixa d’água uma medida de cloro indicada pelo técnico. “Isso porque é água do poço artesiano. Se for da rede não precisa”, acrescenta.
Prazer
Tadeu Lewandowiski tem dois aviários de 130x14 e atua a quase cinco anos na atividade, paralelo à produção de soja e milho e pecuária de leite. Ele garante que faz a manutenção dos aviários e das outras atividades porque gosta e percebe que o zelo garante resultados também nos lucros. Os aviários são totalmente automatizados. “E com tanto investimento, se não cuidar, não adianta”, reforça.
O avicultor é citado como exemplo pelo médico veterinário da Copagril. Segundo ele, é comum o produtor, com o tempo, diminuir a rigidez na limpeza dos reservatórios de água. “Mas, se não manter a rigidez neste pequeno cuidado, os reflexos vão surgir e podem ficar caros ao produtor”, conclui Adrian Fernandes.
Fonte: Jornal O Presente Rural
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