
A qualidade produtiva, tanto de gado de leite quanto de gado de corte, depende hoje de vários aspectos e, principalmente na tecnologia empregada.
O começo de tudo está na linhagem dos animais, que tem garantia certa quando há o emprego de inseminação artificial (IA) para formação do plantel.
O desenvolvimento mundial da inseminação bovina aconteceu na Europa e nos EUA logo após a Segunda Guerra Mundial, essencialmente por motivos de ordem sanitária. Na época, a estrutura das propriedades obrigava os criadores, freqüentemente donos de um reduzido número de vacas, a recorrer aos serviços de touros utilizados em comum por diversos criadores.
Essa medida acabava, muitas vezes, servindo também como fator de proliferação de doenças ou de falhas na linhagem. “A IA facilitou a vida do produtor e melhorou a condição sanitária do rebanho, já que sem o contato físico limita-se a propagação de doenças. Também oferece a possibilidade do produtor escolher o touro doador do sêmen, evitando cruza de sangue”, destaca o inseminador da Lagoa, Claiton João Schwingel.
Emprego
Apesar das vantagens constatadas, no Brasil, o inseminador avalia que menos de 6% dos rebanhos são formados com a utilização de IA. Na região, informa Schwingel, apesar de não haver levantamento oficial, mais de 60% dos produtores, tanto de Mais vantagens da Inseminação artificial gado de leite quanto de corte, usam a técnica. Pato Bragado é um dos destaques, com 90% do rebanho formado por inseminação artificial.
O número poderia ser maior ainda, avalia o inseminador, mas a maioria dos produtores fica na dependência das empresas e não buscam aperfeiçoar e adquirir os equipamentos para ele próprio fazer a inseminação. “Mesmo assim a IA continua sendo muito viável com custo-benefício muito grande, se comparada a outras tecnologias de reprodução”, pontua.
Vantagens
Fisiologicamente um touro possui a capacidade de realizar diariamente de três a cinco coberturas, ritmo que é reduzido ao longo do tempo. Com a IA, explica Claiton Schwingel, o produtor tem a disposição os melhores touros do mundo, com garantia de cobertura de quantas vacas quiser, em um mesmo período. “Além disso, hoje em dia é possível até determinar de que sexo deseja que o animal tenha”, aponta o inseminador.
Se através da concepção normal, o produtor pode levar até três anos para verificar melhorias no seu plantel, com a IA, comenta Schwingel, há garantia dos resultados. “Soma-se a isso a formação de um plantel mais produtivo em leite ou carne, conforme o caso; maior sanidade, animais com mais precocidade para o abate e também com carne mais macia, entre outros pontos positivos”, enumera.
A tecnologia da IA, informa Schwingel, é bastante acessível a todos, por ter um custo relativamente baixo. “Boa parte dos produtores que não utiliza é por pura falta de orientação ou porque culturalmente sempre optou pelo método convencional”, finaliza.
Melhoria
O rondonense Valdir Schimidt, da Linha Guará, utiliza a inseminação artificial a cerca de 15 anos em sua propriedade, onde atua com a pecuária de leite. Ele observa que ao longo dos anos é possível observar melhorias quantitativas e qualitativas na produção do leite. “Acho que a melhoria foi em torno de 80%”, avalia.
Schimidt garante que o custo benefício da inseminação vale à pena, viabilizando a atividade. "O plantel vai ficando cada vez melhor", aponta. Atualmente com 58 cabeças de gado para produção de leite, Schimidt diz que o plantel aqui da região não perde em nada para regiões líderes de produção, como Castro. "Quem profissionalizou o setor, tem investido na melhoria e, conseqüentemente aumentado a produção", finaliza.
Mais vantagens da Inseminação artificial
Além das vantagens acima mencionadas, a ASBIA relaciona outras situações em que pode ser conveniente (e rentável) o uso da IA.
1 - Possibilitar o cruzamento entre raças;
2 - Prevenir acidentes, que podem ocorrer com vacas e principalmente com novilhas quando o touro é muito pesado;
3 - Prevenir acidentes com funcionários, familiares ou visitantes da propriedade, devido ao comportamento agressivo de alguns touros;
4 - Usar de touros com problemas adquiridos e impossibilitados de efetuarem a monta ou após sua morte;
5 - Reduzir a dificuldade dos partos, pelo uso de touros que comprovadamente produzem filhos de pequeno porte ao nascimento
6 - Aumentar o número de descendentes de um reprodutor;
7 - Padronizar o rebanho, facilitando a comercialização dos lotes;
8 - Melhorar o controle zootécnico do rebanho.
Por outro lado, embora o cio das vacas seja repartido de maneira uniforme durante o ano, a concentração de nascimentos em um determinado período é desejável para se beneficiar de melhores preços de mercado da carne ou leite, além de facilitar o manejo das matrizes e bezerros. Geralmente, considera-se que um touro pode satisfazer as necessidades de um grupo de 30 a 50 vacas durante um período de monta de aproximadamente 4 meses. Nessa condição, o touro pode passar de períodos de excessiva atividade sexual a longos períodos improdutivos.
Basicamente, a IA apresenta vantagens decorrentes do melhoramento genético dos rebanhos (incluindo um incremento quantitativo e qualitativo da produção), obtido pelo emprego de touros comprovadamente superiores, do controle de doenças e (embora exista alguma polêmica a respeito) da diminuição dos custos para obtenção de uma prenhez. Uma pequena revisão da relevância desses aspectos pode ajudar a entender o motivo dos ganhos obtidos com o uso da IA, quando bem implementada em sistemas de produção de gado de leite e de corte.
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