Bovinocultura e Grãos

Problemas nos cascos em bovinos tem variedade de causas

08.10.2009
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Rebanhos leiteiros, criados em sistema de confinamento são, em geral, os que apresentam uma maior incidência de afecções de casco. Foto: Reprodução
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Problemas de casco demandam maiores custos de tratamento e são frequentemente causadores de descarte precoce dos animais

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Os problemas de casco em bovinos de leite são muitas vezes subestimados pelos produtores. Na primeira impressão, nós prestamos atenção somente no sofrimento dos animais, mas na realidade, existem muito mais problemas sendo causados. Por exemplo, vacas leiteiras com problemas de casco apresentam uma queda drástica na produção de leite, nos índices de fertilidade (maior tempo de intervalo entre partos) e aumento no risco de mastites. Além do mais, problemas de casco demandam muito mais trabalho e maiores custos de tratamento e são frequentemente causadores de descarte precoce dos animais. O médico veterinário da Intracare, Juliano Locatelli, informa que trabalhos de pesquisas realizados na Holanda indicam que os danos econômicos causados pelas afecções de cascos na produção leiteira naquele país podem chegar a 300 euros/vaca/ano.

É preciso estar atento para os fatores que podem contribuir para o surgimento de doenças no casco. Segundo Locatelli, problemas de casco em bovinos geralmente apresentam uma variedade de causas: instalações, nutrição e higiene, nível de produção dos animais, assim como os sistemas de criação e a raça dos animais são fatores predisponentes. Ele expõe que os rebanhos leiteiros, criados em sistema de confinamento são, em geral, os que apresentam uma maior incidência de afecções de casco. Isto ocorre em virtude do tipo de instalação, da dieta alimentar e do manejo ao qual esses animais são submetidos, explica.
Por outro lado, detalha o veterinário, em virtude das causas serem multifatoriais, as afecções de cascos podem afetar o rebanho em diferentes épocas do ano, não se concentrando em nenhum período específico, dessa forma, é preciso ficar atento ano inteiro.

Diagnóstico precoce
Locatelli orienta que o casqueamento preventivo ajuda a identificar precocemente algumas afecções que acometem os cascos. Mas para o produtor em geral, uma forma fácil e prática é o uso do Escore de Locomoção, técnica desenvolvida no Estado norte-americano da Flórida e muito utilizada por veterinários, técnicos e criadores dos Estados Unidos e da Europa. Essa técnica consiste em uma avaliação visual dos animais durante a sua locomoção. Desta forma é feita uma classificação de 1 a 5 (escore) de acordo com a severidade da lesão, permitindo assim uma detecção mais eficiente dos problemas de casco no rebanho, especifica.

As lesões de casco são classificadas de acordo com a área do casco que elas acometem. Há lesões na sola do casco, quando se forma hematoma de sola, úlcera de sola e doença da linha branca. O veterinário da Intracare explica, ainda, que geralmente associadas com a laminite subclínica. A laminite é uma alteração na irrigação do tecido córneo do casco. Essa alteração acaba por deixar o casco mais suscetível a danos físicos. As laminites são responsáveis por até 60% das lesões de sola de casco em bovinos.
Outras lesões que podem ocorrer são no talão do casco, com formação de erosão de talão e verruga de casco, além de lesão no tecido interdigital: foot –rot e gabarro.

Manejo
Com um manejo adequado é possível amenizar as consequências ocasionadas por problemas de cascos em bovinos.  As principais ações de manejos que podem ser adotadas pelo bovinocultor, aconselha Juliano Locatelli, são o casqueamento preventivo do rebanho e o uso de pé-dilúvios. O casqueamento preventivo deve ser realizado de duas a três vezes por ano, em todo rebanho. O uso de pé-dilúvios é de grande eficácia, desde que sejam usados produtos eficientes e na diluição correta, além dos cuidados de limpeza dos mesmos, pontua.

Se mesmo com a prevenção, haver incidência de problemas de casco, o produtor pode recorrer a tratamentos terapêuticos. O médico veterinário expõe que, por apresentarem vários tipos e fatores predisponentes, o tratamento das lesões de casco também varia de acordo com o agente causador. Os tratamentos variam desde o casqueamento e o uso de pé-dilúvios, até o uso de tacos de madeira no casco dos animais. No caso do uso de antibióticos parenterais, recomenda-se respeitar o período de carência do produto recomendado pelo laboratório fabricante do mesmo, ou de acordo com a orientação de um médico veterinário, cita.

Como em qualquer outro tipo de tratamento, os animais afetados devem receber uma maior atenção de acordo com o grau de severidade da lesão. Recomenda- se no geral deixar os animais em um ambiente mais seco e abrigado, de preferência sozinho quando possível. Isto permite uma melhor recuperação do animal bem como facilita a observação da evolução e da eficácia do resultado do tratamento utilizado, finaliza Locatelli.

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