Especial Suínos

Água é o “alimento” número 1 dos animais

12.02.2010
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Técnico em agropecuária da Copagril, Osni Tessari: A água que nós bebemos é a água boa para os suínos, que têm as mesmas necessidades que os humanos. Foto: Luciany Franco
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Atenção deve ser dada à quantidade, qualidade e temperatura da água oferecida aos suínos

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A água deve ser encarada como alimento número 1 dos animais”. Assim avalia o técnico em agropecuária da Copagril, Osni Tessari. Contudo, lamenta ele, nem todos os suinocultores pensam assim. O argumento para que a água seja considerada o nutriente número um é bem claro: sem a água o suíno não consome ração; se ele não consumir alimento, não se desenvolve e, portanto, as perdas acontecem. “É um elemento que quando se fala em nutrição animal e índice de desempenho, muitas vezes é até esquecido, contudo precisa ser lembrado sempre em primeiro lugar”, garante.

Mas é preciso, diz Tessari, pensar na água em quantidade, qualidade e também temperatura ideal. Há casos, cita o técnico, de granjas que tem água em quantidade e qualidade ideal, mas tem os encanamentos ou o reservatório expostos ao sol, fazendo com que o líquido alcance temperaturas inadequadas ao consumo. “Não adianta ter quantidade e qualidade, se a temperatura da água que chegar ao animal não for adequada. O suíno pode até beber água quente, mas vai beber menos do que o ideal”, alerta.

Proporções
Não há uma proporção exata entre o consumo de água e ração, porque varia conforme a fase do animal, explica Tessari. Um animal em fase final de terminação consumiria cerca de 12 litros de água por dia e uma fêmea cerca de 25, enquanto o consumo de ração seria de três a seis quilos. A matriz, por sua vez, consome em torno de 25 a 30 litros de água e seis de ração na maternidade, já na gestação seria de 20 litros de água e dois a três quilos de alimento. “Mas o consumo da ração é sempre posterior à água, por isso é de grande importância”, reforça o técnico, lembrando que é preciso deixar água à disposição desde o dia do nascimento do leitão. 

Qualidade
Mesmo que a água seja oferecida em quantidade ideal às granjas, não se pode perder de vista, lembra Osni, a qualidade da água. Ele explica que o principal detalhe a ser observado é a ausência de coliformes. E quando há, é preciso tratar imediatamente. “Um parâmetro bem claro é que os animais precisam de água potável. A água que nós bebemos é a água boa para os suínos, que têm as mesmas necessidades que os humanos”, destaca.
Osni cita que já tratou rebanhos com problemas entéricos que foram resolvidos apenas com o tratamento da água. O técnico chama à atenção para o fato de que, quem produz em escala comercial, precisa adotar padrão de água limpa para os animais, sob o risco de ficar fora do mercado. “Se oferecer água ruim, o suíno bebe, mas vai perder em desempenho, porque corre riscos de ficar doente, consumir menos ração e, portanto, ter seu desenvolvimento prejudicado, além de elevar os custos com o tratamento. Ou seja, os custos de produção aumentam e a atividade com custo elevado, deixa de ser interessante”, pontua.

Sistemas
O técnico da Copagril cita que na área de abrangência da Copagril há suinocultores que captam água de nascente, outros de poço artesiano, poços mais profundos e até mesmo da rede de água rural. A água vai para caixa para ser distribuída na granja, mas, antes disso, passa por processo de tratamento. “Hoje é muito difícil encontrar água que não esteja contaminada, por isso é fundamental fazer o tratamento”, alerta. Em casos de suspeita de contaminação, o suinocultor precisa fazer coleta para enviar ao laboratório. “Esses cuidados permitem melhores resultados na performance dos animais e reduz os gastos com medicamentos”, garante.
A respeito dos bebedouros, Osni Tessari cita que está comprovada a eficiência do tipo “chupeta”, que não tem depósito de água, e o suíno consome o líquido que está na canalização. “Apenas é necessário observar em trocas de lotes ou se perceber a possibilidade de aquecimento da água, precisa soltar para que o líquido chegue fresco ao animal”, orienta.
A atenção do produtor é exigida, ainda, na limpeza do sistema, desde a caixa d’água até as biqueiras. As caixas precisam estar sempre limpas e vedadas, para não entrar sujeira. “Nos dias que a granja estiver vazia, é fundamental lavar a caixa, escoar as mangueiras, fazer tratamento, secar, para também descontaminar os canos, seguindo orientação do técnico”, explica, citando que o cloro precisa de um tempo de contato com a água para matar bactérias e coliformes, entre outros. “Se o sistema estiver contaminado, a cloração não vai ter a eficiência necessária”, acrescenta.

Consciência ambiental
O que aumenta, cada vez mais, diz Osni Tessari, é a consciência de trabalhar de maneira ambientalmente correta também com relação à água oferecida aos animais. Já existem produtores que estão se preocupando com a captação da água da chuva, para posterior destinação ao consumo de seus rebanhos. “Esse tipo de ação só não aumentou porque há certa disponibilidade de água. Mas já existem produtores dando os primeiros passos”, conclui.

Pioneer Central

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