
A produção em escala comercial de suínos não permite mais erros. Por isso, toda tecnologia, todo programa, manejo ou medicamento é aplicado depois de inúmeras pesquisas e comprovação. Em sanidade, principalmente, a utilização de técnicas diferenciadas não depende somente da intenção do suinocultor, é preciso aceitação do comprador da carne. O “diagnóstico de porteira”, por exemplo, não é mais aceito por predispor a erros, podendo provocar mais prejuízos para o produtor.
Um dos procedimentos conhecidos que auxiliam no aumento da eficácia do diagnóstico de doenças em uma granja é a utilização de animais sentinelas. A médica veterinária Alessandra Fabiana de Lima Trevisan, da regional de Toledo (PR) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), explica que o objetivo dos animais sentinelas é aumentar o crescimento dos agentes infecciosos e/ou a produção de anticorpos para que se aumente a chance de se encontrar animais positivos para as doenças. “São animais susceptíveis, ou seja sem proteção, que são introduzidos em um plantel para exacerbarem a reação frente a determinado agente. Isso serve para monitorar o plantel quanto à presença ou não do agente, logo após um foco de alguma doença”, expõe.
Importância
A profissional da Seab explica que a introdução de um animal na granja sem nenhuma proteção contra um vírus, por exemplo, no caso de haver a circulação desse vírus no plantel, o animal sentinela vai se infectar e apresentar sintomas, provavelmente mais severos do que os animais do rebanho, pois estes já teriam algum grau de imunidade. Ela relata que é possível perceber isso de duas maneiras: a primeira é pelos sinais clínicos e a segunda pela avaliação sorológica do animal (o nível de anticorpos contra aquele vírus vai aumentar muito).
A veterinária comenta que, no serviço oficial, mais especificamente no Programa Nacional de Sanidade de Suídeos (PNSS), o uso de animais sentinelas para assegurar um Programa de Limpeza e Desinfecção e um vazio sanitário bem feito, quando de uma emergência sanitária, estão descritos nos Planos de Contingência para PSC - Peste Suína Clássica (IN 27/04) e Doença de Aujeszky (IN 8/07). “Para PSC a utilização de sentinelas é obrigatória, para DA é facultado à avaliação do serviço veterinário oficial. Em ambos os casos a introdução desses animais se dará sob estrito controle do serviço oficial”, alerta.
Proporção
Quanto introduzidos em um rebanho, os animais sentinelas deverão representar ao menos 5% da população anterior e devem ser distribuídos de forma a abranger todas as dependências do sistema de criação. “Um exemplo: no caso da Febre Aftosa no Paraná, entre 2004 e 2005, após o abate dos bovinos, foi permitida a introdução de animais sentinelas (no caso foram bovinos não vacinados contra febre aftosa) na região para posterior monitoramento sorológico dos mesmos, pois se estes animais apresentassem algum nível de anticorpos contra o vírus, significaria que tiveram contato com o mesmo, e logo, que existia circulação viral na região. Só depois da realização desses exames é que as propriedades foram liberadas para serem povoadas novamente”, detalha a profissional.
Vacinas
Os sentinelas, detalha Alessandra, também servem para a produção de vacinas autógenas, que só podem ser fabricadas por laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Na produção de vacinas, diz Alessandra, o uso de sentinelas é importante, pois com a exacerbação da infecção é mais fácil isolar o agente na cultura, que posteriormente será utilizado para a produção da vacina.
O sentinela
Para a produção de animais sentinelas, informa a médica veterinária da Seab, é importante observar a faixa etária mais atingida pelo agente. Esses animais não podem ser vacinados e o ideal é também não fornecer antibióticos a eles, pois o antibiótico pode inibir o crescimento do agente (se for bactéria). “Os animais devem ficar em baias separadas dos demais, porém no mesmo galpão, para poderem ter contato com os agentes que estão no ambiente. Os animais submetidos a algum estresse também têm reduzida sua resposta imunológica”, cita.
Alessandra chama atenção que é importante saber para que o produtor utilizará os animais sentinelas. Ela menciona que não há necessidade de um produtor manter animais sentinelas em sua granja rotineiramente, devendo sempre lembrar que ter um animal sentinela significa ter um animal susceptível no plantel, mais sensível que os outros e mais propenso a adoecer. “Os cuidados de biossegurança variam de acordo com o tipo do sistema de criação; as granjas fornecedoras de material genético (de reprodutores) são livres das principais doenças de importância econômica e adotam programas de biossegurança avançados, por exemplo, são feitos exames sorológicos semestralmente para PSC, DA, Brucelose e Leptospirose, além, do exame parasitológico trimestral; além disso a reposição do seu plantel é feito apenas com animais provenientes de outras GRSC (Granjas de Reprodutores Suídeos Certificada) após um período de quarentena, não sendo o uso de sentinelas rotineiro”, expõe.
Conforme a médica veterinária, nas granjas comerciais (de terminação) geralmente trabalham no sistema “todos dentro, todos fora”, fazendo no intervalo entre os lotes a limpeza e desinfecção das instalações. Em ambos o uso de sentinela não é comum.
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