
A nova estratégia do setor suinícola para aumentar o consumo da carne suína no Brasil, ao que parece, está dando os resultados esperados. A campanha “Um Novo Olhar Sobre a Carne Suína”, criada pela Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), tem como principal parceira no Paraná a Associação Paranaense dos Suinocultores (APS). No Estado, as ações começaram em julho deste ano, com o apoio do Senai e Senac.
O presidente da APS, Irineu Wessler explica que as campanhas para aumentar o consumo da carne suína, até então, aconteciam sempre voltadas ao consumidor final. Desta vez, o objetivo é reestruturar a forma com que o produto é comercializado no Brasil. Apesar de ser o quarto maior produtor mundial de suínos, o consumo da carne no país é relativamente baixo. Wessler compara que na Áustria o consumo é de 73,1 kg por habitante/ano; no Paraguai, vizinho ao Brasil, o consumo é de 26 Kg/hab/ano, enquanto no Brasil, em 2007 houve um consumo per capita de carne suína de apenas 13,1 kg por habitante. “Por isso, foi necessária uma reavaliação de estratégia e de abordagem”, pontua o presidente da APS, lembrando que desses 13 quilos, dez são em forma de embutidos (presuntos, lingüiças, salsichas) e apenas três quilos equivalem à carne in natura. Outro detalhe apontado por Wessler é o fato que o consumo menor da carne suína é observado nos grandes centros.
Estratégia
O presidente da APS explica que ao longo dos anos os hábitos dos brasileiros também mudaram e a campanha procurou mudar o foco de atenção, privilegiando os aspectos que mais tinham chances de contribuir para uma mudança de atitude do consumidor.
As abordagens de “Um Novo Olhar Sobre a Carne Suína” estão sendo voltadas a nutricionistas, médicos, açougueiros e supermercadistas, principalmente de cidades maiores. “Com nutricionistas e médicos para trabalhar com eles os conceitos de carne saudável, com o objetivo de torná-los nossos aliados. Ainda há mitos com relação à sanidade da carne suína. Mas hoje a criação é confinada, ração balanceada e há um grande controle nas granjas. A segurança é total por isso é um alimento que pode ser adotado em várias dietas, desde uma família até escolas e hospitais”, defende o suinocultor.
Já com os supermercadistas e açougueiros o trabalho é no sentido de promover a mudança de padrões de corte e consumo. Sobre esses conceitos, o suinocultor observa que o tamanho das famílias diminuiu bastante com o decorrer dos anos. “Assim, hoje precisamos adotar cortes diferentes da carne suína, para que atenda à demanda e gostos do brasileiro. Também é levado em conta o fato da falta de tempo das famílias para se dedicar à cozinha. Com isso, precisam de alimentos que se encaixem melhor a sua rotina”, pondera. E é por isso que a carne suína agora conta com strogonoff, medalhões de filé mignon, escalopinhos de alcatra, carne moída premium sem resíduo de gordura, peças para churrasco, grill e outros.
As parcerias para o trabalho também se estendem com o envolvimento das associações municipais de suinocultores e abordagem em frigoríficos e indústrias. “Para as peças já chegarem aos supermercados na forma ideal para o consumo”, adianta Wessler.
Os resultados
Para o presidente da APS, o Paraná tem um consumo de carne suína considerado bom, em torno de 17 Kg/ano por pessoa. Em outros Estados, onde o trabalho tem sido mais abrangente, a campanha “Um Novo Olhar Sobre a Carne Suína” tem alcançado resultados de aumento no consumo de 50 a 200% no período monitorado, se comparado com o ano anterior.
Na região, o trabalho de campanha aconteceu em Medianeira, por oportunidade do Festival da Carne Suína, no mês de agosto. “Com todo esse trabalho no país, esperamos aumentar o consumo médio de carne suína no Brasil em mais um quilo só neste ano, totalizando um acréscimo de mais três, até 2010”, prevê o presidente da APS.
Exportação
O Brasil exporta de 650 a 700 mil toneladas por ano de carne suína, mesmo com os embargos que ainda tem, por conta da febre aftosa ocorrida no Estado do Mato Grosso do Sul, em 2005. No mercado interno ficam 80% do que é produzido no país. “Ou seja, se consumimos pouco, ainda há muito espaço para crescer e a tendência é crescer cada vez mais”, finaliza Irineu Wessler.
Fonte: O Presente Rural
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