
Amédica veterinária e pesquisadora Daiane Donin Spessatto, que é professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) – campus de Palotina, foi a única brasileira selecionada para apresentar um trabalho científico na área de suinocultura na 16ª edição do Congresso Internacional de Reprodução Animal, realizado em Budapeste, Hungria, no mês de julho. Daiane destacou em sua exposição os benefícios que um manejo nutricional adequado pode trazer ao macho suíno e para a granja como um todo.
Conforme a pesquisadora, foi possível apontar no Congresso uma alternativa inédita, que seria a utilização de minerais orgânicos para machos suínos. “O trabalho foi bem aceito, pois trata-se de uma novidade em tecnologia testada em machos”, avalia a veterinária.
Bom manejo
Daiane especifica que o bom manejo nutricional para suínos deve ser aquele que contemple todas as necessidades do animal. Em outras palavras, o animal precisa ter os nutrientes necessários para sua manutenção, para seu crescimento e para o seu desenvolvimento e para a reprodução, respeitando as quantidades específicas para esta categoria. Para assegurar isso, ela explica que no caso dos suínos machos reprodutores, também conhecidos como cachaços, eles precisam ter energia suficiente para viabilizar a produção espermática com qualidade, para a cobertura e para a atividade de monta. Então, a boa nutrição seria aquela que contempla todas as necessidades dos animais, através dos nutrientes: proteínas, energia, carboidratos, lipídios, vitaminas e minerais, em quantidades adequadas a esta categoria. “Tanto o excesso quanto a falta de nutrientes podem causar problemas”, observa a pesquisadora.
Ela enumera que a execução de um bom manejo nutricional pode trazer vários benefícios numa granja, especialmente para o macho suíno, como o aumento da fertilidade, intensificação da libido e aumento produção de sêmen. “O bom manejo nutricional ajuda o suíno a manter a condição corporal adequada para a produção. É preciso ter atenção para que o animal não esteja muito magro, pois o animal subnutrido não produz”, alerta.
A pesquisadora da UFPR alerta que a obesidade em machos suínos não é sinal de saúde. “O excesso de peso também traz conseqüências negativas. Entre os entraves, posso dar como exemplo o atraso da manifestação da puberdade e baixa produção de sêmen”, explica.
Daiane considera que no caso do macho reprodutor, os benefícios de um bom manejo nutricional refletem em um volume adequado de sêmen, uma célula espermática de qualidade, uma célula hígida, perfeita para que seja realizada a fecundação, uma célula com boas características morfológicas e de motilidade, além de funcionalidade adequada. “Portanto, uma boa nutrição permite que o cachaço esteja apto para a reprodução produzindo uma boa quantidade de espermatozóides para o ato”, resume.
Condições adequadas
Outro detalhes que a pesquisadora chama a atenção é sobre o clima da região, onde são percebidas temperaturas elevadas no Verão. “Essas temperaturas são prejudiciais à produção espermática. Desta forma, devemos lançar mão de tecnologias que otimizem a produção de sêmen e tragam benefícios ao animal, principalmente quando expostos a estas situações que comprometem a produção e interferem no ciclo produtivo como um todo, pelo declínio na qualidade do sêmen. A opção alimentar que testamos no estudo foram os minerais orgânicos em substituição aos inorgânicos tradicionalmente utilizados”, explica.
Inseminação
Atualmente, a reprodução em suínos tem prevalência na utilização de inseminação artificial. Assim, o cuidado do produtor com os reprodutores deve ser constante, desde o nascimento, pois a carência nutricional pode provocar alterações no seu desempenho, a começar por uma puberdade tardia. “Se for um animal que está entrando na vida reprodutiva, além deste atraso, ele vai ter uma diminuição na qualidade do sêmen, comprometendo a morfologia, qualidade e funções normais das células espermáticas (espermatozóides) e, conseqüentemente, vai produzir um volume menor de doses de sêmen a ser distribuído para a inseminação artificial”, orienta Daiane.
Os animais adultos, que apresentam uma falta de nutrientes, também têm uma redução de sua capacidade reprodutiva. Um reprodutor que poderia inseminar 100 fêmeas, vai conseguir inseminar um número bem menor, o que pode prejudicar os lucros do suinocultor.
A médica veterinária observa que há casos em que é possível manter a formulação de uma ração específica para reprodutores.
Dentro de granjas onde os reprodutores são utilizados apenas para manejo, ou para estímulos de puberdade precoce, não seria necessária a nutrição diferenciada para esses animais. No entanto, em granjas onde os animais são utilizados para coleta de sêmen, distribuição de sêmen em centrais de inseminação, em granjas que trabalham como unidades fechadas, produzindo para seu próprio abastecimento ou granjas que comercializam esse sêmen, é recomendado adotar uma dieta específica para o macho, voltada para a melhoria do seu potencial reprodutivo. “Nestes casos podemos oferecer dietas específicas com microminerais orgânicos, visando otimização da produção de sêmen nos cachaços, principalmente quando expostos a condições ambientais desfavoráveis (altas temperaturas). Estas dietas promovem aumento no volume de sêmen produzido pelos animais, na porcentagem de espermatozóides normais produzidos, na motilidade espermática e no número de doses produzidas a partir de um ejaculado”, finaliza Daiane Spessato.
Fonte: O Presente Rural
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