
A publicação da instrução normativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a respeito da geração descentralizada de energia elétrica em biodigestores a partir de dejetos animais, em 15 de julho, está gerando grande otimismo para produtores rurais do Oeste e de todo o Paraná. A medida consolida projeto integrado da Copel, Sanepar e Itaipu Binacional, que estuda a viabilidade técnica e econômica de implantação de biodigestores em propriedades rurais dedicadas à suinocultura para, com o gás metano produzido pela decomposição da matéria orgânica coletada, produzir eletricidade para consumo na própria instalação e, até, para venda do excedente à distribuidora local dos serviços, no caso, a Copel.
O projeto piloto está sendo desenvolvido e monitorado há cerca de um ano na Granja Colombari, em São Miguel do Iguaçu. Agora, com a normativa, avalia o coordenador da Plataforma Itaipu de Energias Renováveis, Cícero Bley, cerca de dez mil propriedades rurais da região também poderão ser beneficiadas. “O projeto é pioneiro e abre precedentes para iniciativas em todo o Brasil. Quem ganha é a economia como um todo e especialmente o produtor rural, que tem mais uma possibilidade de renda, ou, no mínimo, de minimizar custos com energia elétrica”, destaca Bley. Além disso, o coordenador também aponta a possibilidade do excedente de energia ser vendido à Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel).
A estimativa da Itaipu Binacional é de que em torno de dez mil propriedades poderão produzir sua própria energia, através do uso de biodigestores, utilizando dejetos animais. Os resultados devem começar a aparecer em curto prazo, já que a previsão é de que até maio de 2009 essas propriedades já estejam gerando energia através de biodigestores e também jogando sobras na rede da Copel.
Renda
A Copel vê na proposta de geração descentralizada de energia elétrica em biodigestores a partir de dejetos animais como uma fonte de receita adicional ao produtor rural, enquanto a Companhia teria reforçadas as suas disponibilidades de energia para atendimento ao mercado. “A iniciativa tem grandes reflexos econômicos, colaborando para a auto-sustentabilidade das propriedades e viabilizando o agronegócio”, define Cícero Bley.
Na outra ponta, também se leva em conta o beneficío ao meio ambiente, haja vista que o aproveitamento dos dejetos animais em câmaras biodigestoras vai evitar que o material acabe sendo despejado nos rios, lagos e reservatórios, alterando as propriedades da água e facilitando a proliferação de algas e de outros microorganismos nocivos à saúde.
O dejetos de suínos são ricos em fósforo, principal nutriente das chamadas “algas azuis”, um tipo de floração que contamina e deteriora a água e que pelo contato ou ingestão pode causar sérios problemas à saúde a pessoas e animais.
Exemplo para o mundo
Com a iniciativa da Plataforma de Energias Renováveis, o Paraná está prestes a ser tornar modelo internacional para demonstração de projetos do setor na América Latina. A Itaipu Binacional está firmando um memorando de intenções com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), que transforma a região Oeste do Estado em uma área modelo para o mundo no que se refere a projetos de energias renováveis.
Fonte: O Presente Rural
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