
Já é corrente entre o meio técnico e também entre produtores a importância da qualidade da água para a saúde animal. Mais do que isso, se percebe a importância do líquido, no intuito de facilitar o tratamento de um rebanho, com a ingestão de medicamentos por todo um lote. Assim, a “medicação líquida” se configura hoje em importante ferramenta na sanidade de um plantel, quer seja de aves, suínos e bovinos. O coordenador técnico nacional de suinocultura da Farmabase, médico veterinário Rodrigo de Barros, explica que quando se fala em medicação líquida pode haver duas interpretações, pois toda medicação injetável é necessariamente líquida. “Porém a novidade que está ocorrendo no Brasil é a medicação realizada pela água de bebida em suínos, prática esta, já muito utilizada na avicultura mundial”, informa.
Questionado sobre a melhor estratégia de aplicação de medicamentos, se injetável ou via oral, através da água, o profissional diz que não se pode fazer uma comparação simplista entre medicação injetável e medicação via água. Ele detalha que quando se busca o tratamento individual dos suínos, a aplicação injetável do medicamento dá garantia da quantidade do princípio ativo aplicado no animal. Por outro lado, quando é necessário o enfrentamento de uma enfermidade que atinge um grande número de suínos, fica inviável a aplicação individual. “Neste caso o uso da medicação via água é eficiente e de muito maior praticidade. Ou seja, a medicação via água não irá substituir a injetável, e sim é mais uma forma de tratamento”, expõe.
Recomendação
Rodrigo detalha que a melhor recomendação da utilização de medicação via água de bebida é em casos de muitos animais enfermos e em substituição à medicação via ração. Ele chama atenção para o fato que a qualidade e a vazão da água certamente influenciam na eficácia do tratamento. O veterinário justifica ainda, que quando a água possui um alto grau de dureza, ou seja, elevado teor de minerais, isto poderá fazer com que haja a decantação do medicamento, fazendo com que o animal não consuma a quantidade necessária do mesmo. Quanto à vazão, se a mesma for pequena, também se torna um problema, pois o suíno gosta de beber água rapidamente e, neste caso, vazões aquém das recomendadas para a idade do animal acarretarão em um consumo menor, afetando diretamente o tratamento.
Variedade
A tecnologia de utilização de medicamento líquido via água consumida pelos animais já abrange inúmeras finalidades sanitárias. Conforme Rodrigo de Barros, há inúmeros princípios ativos solúveis que podem ser fornecidos via água de bebida, com isto a grande maioria das enfermidades em suínos pode ser tratada via água. Inclusive, cita o profissional da Farmabase, certamente os problemas respiratórios causados por bactérias também podem ser tratados via água de bebida, o que já vem acontecendo em todo o Brasil, com excelentes resultados.
A utilização do sistema, além da praticidade, apresenta uma série de vantagens de resultados e também ao manejo do rebanho. O técnico cita que as principais vantagens são:
a) Praticidade, alto rendimento, fornecimento simultâneo do medicamento a uma grande quantidade de animais, utilizando pouca mão-de-obra;
b) Eficácia reconhecida nos tratamentos preventivos e mesmo curativos em que a ingestão de alimentos/água não estiver comprometida;
c) Menor custo do tratamento;
d) Ausência de risco de abscessos e/ou necrose no local da aplicação, entre outros;
d) Ausência de estresse animal;
e) É a via mais utilizada no mundo, seguida pela via parenteral (injetável);
f) Animais doentes consomem menos ração, mas continuam bebendo água (eficácia superior e custo menor, particularmente nos tratamentos curativos);
Além desses detalhes, ele explica que no rebanho tratado com medicamento via água bebida se elimina riscos de contaminação cruzada entre rações. Além disso, pontua Rodrigo, viabiliza medicamentos não permitidos na fábrica de ração, evitando barreiras comerciais. “Podemos ressaltar, ainda, que a medicação líquida via água bebida não interfere na rotina de produção das fábricas de ração e oferece rapidez e flexibilidade na intervenção, com qualquer medicamento, em diferentes idades e granjas”, complementa, lembrando, ainda do não “engessamento” das medicações às fases de ração ou idade dos animais, gerando, ainda, uma autonomia do médico veterinário sanitarista.
Em todas as fases
O coordenador técnico reforça que uma das grandes vantagens do sistema é a possibilidade de utilizá-lo em todas as fases de desenvolvimento do suíno. “Esta é uma das vantagens da utilização da medicação via água, pois os suínos consomem água na quantidade ideal para o tratamento em todas as fases, mesmo em períodos onde o animal já não se alimenta direito devido às complicações da enfermidade”, salienta.
Questionado sobre as restrições com relação a resíduos na carne de animais tratados com medicação líquida, Rodrigo de Barros alerta que devemos lembrar que todo medicamento, seja ele via água de bebida, via ração ou injetável, possui períodos de carência que devem ser respeitados para evitar resíduos na carne. O período de carência, esclarece, tem mais relação com o princípio ativo utilizado do que com a forma de aplicação do medicamento propriamente dita.
Uniformidade
Quanto ao fato de uma medicação aplicada na água, de forma uniforme a todos os animais, haver o risco de alguns animais consumirem mais que os outros, o técnico explica que é um risco calculado, pois de maneira geral o consumo de água dos suínos apresenta uma pequena variação entre indivíduos e esta variação já é calculada no momento da prescrição do medicamento. “Ou seja, não há risco de super dosagem. É claro que precisamos ficar atentos para que a diluição do medicamento seja bem feita e homogênea”, orienta. Ele observa que é possível de acontecer de os animais, por algum estímulo externo, virem a consumir mais rapidamente a água que lhes é fornecida. Isto, contudo, diz, não afetará o tratamento, pois o cálculo do medicamento é feito para que o animal consuma a quantidade necessária em 12 a 24 horas. Se houver um consumo em menos tempo o animal terá consumido a mesma quantidade, pois no caso de medicação via água de bebida sempre se recomenda o uso de um dosador de medicamento ou de uma caixa d’água separada da rede.
O importante, diz Rodrigo, é que o produtor conheça mais esta possibilidade de tratamento e faça o uso correto. Quem ganha é o rebanho e o próprio produtor, com resultados lucrativos na produção.
No mercado atual, quando se trata de eficiência econômica, a exigência é implacável, onde raras e poucas falhas s&a
Leia maisAs pessoas gostam do sabor, mas não encontram o produto do jeito que querem. Segundo especialistas, é este o motivo de o consumo de c
Leia mais