
Os resultados de um manejo correto e do investimento do produtor em um lote de leitões não encerram no momento em que os animais são carregados. Aliás, aí começa outro ponto que também merece atenção, para que todo o cuidado dedicado não seja perdido, já que o animal no pouco tempo do carregamento até o abate pode sofrer estresse, se machucar, perder peso e até morrer, o que se traduz em prejuízos ao produtor e a todo o processo. Animal estressado ou lesionado reflete nas condições da carne, cuja seleção para destino aos mercados interno e externo é bastante rígida.
O técnico em agropecuária do setor de Fomentos de Suínos da Cooperativa Agroindustrial Copagril, Osni Tessari, observa que o primeiro detalhe indispensável no pré-abate é o jejum. Ele explica que é seguido o critério de jejum de oito horas na granja, período em que o comedouro deve ser mantido sem alimento. Contudo, alerta, os animais não devem ser privados da água. “O suíno é um animal de rotina, que se condiciona a ter hora certa para comer. Se ele começar a sentir fome, aumenta o estresse, fica mais agitado, o que pode resultar em perda de peso e até mesmo morte. O prejuízo é para o produtor”, alerta o técnico, lembrando que o carregamento sempre é feito com o horário de abate programado, assim há uma programação entre abatedouro e produtor para evitar o estresse dos suínos.
O jejum também é importante, conforme Tessari, porque evita perdas de qualidade da carne e carcaça, diminui a produção de dejetos durante o transporte e na mangueira de espera do abatedouro e, consequentemente, evita a contaminação da carcaça por bactérias. No momento da evisceração o risco de contaminação também diminui já que o intestino está vazio. Outro fator importante é que diminui a produção de poluentes nas lagoas de tratamento dos abatedouros
Carregamento
Os detalhes para o carregamento iniciam com a mobilização dos animais para transportá-los até o caminhão. Tessari lembra que é estritamente proibido bater nos animais ou utilizar qualquer objeto que possa machucá-los. “O produtor e o freteiro geralmente fazem o carregamento juntos. É importante que observem e tomem todos os cuidados porque em caso de animais chegarem machucados ao abatedouro, ambos são notificados”, detalha ele, acentuando que no caso da Frimesa, ocorrendo três notificações de fretes com animais machucados, se rompe o contrato com o freteiro. “Mas a maioria está há anos na atividade e dificilmente acontece, primeiro pela experiência e cuidados dos profissionais no carregamento, segundo porque são observados critérios rigorosos também para as carrocerias e o transporte”, explica Tessari.
Esse detalhes, cita o técnico, levam em conta a rampa de carregamento que não pode ter mais de 15 graus de inclinação, para o suíno não enfrentar subida, a largura do corredor de passagem dos animais deve ter pelo menos um metro e a porta de acesso ao caminhão também deve ter abertura de 100% para o animal não enroscar. Além disso, o ferro das grades do caminhão precisa ser roliço. As indicações, explica Tessari, são regulamentadas por Instrução Normativa do Ministério da Agricultura e Pecuária.
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