
Basta andar um pouco pelo interior dos municípios da região para ver o trabalho intenso do homem do campo para concluir a colheita do milho safrinha. Conforme dados do Departamento de Economia Rural (Deral) de Toledo, em torno de 40% da produção já foi colhida, devendo chegar a 50% no final de semana e, se o clima colaborar, a 60% na semana que vem.
Segundo o engenheiro agrônomo da unidade Copagril de Quatro Pontes, Maico Hollmann, a produtividade está superando a expectativa. Prova disso é a crescente vantagem apresentada em números comparada às safras anteriores, isto é, desde 2003 a atual colheita é a que demonstrou maiores índices na produtividade.
O agrônomo explica que são colhidas em torno de 240 sacas por alqueire em Quatro Pontes, tendo picos de até 300 sacas em casos específicos. “Este ano tivemos a colaboração das condições climáticas, fato que reflete no resultado da produtividade. Não tivemos chuva em excesso, mas algumas propriedades foram afetadas com fortes ventos no último mês”, pontua.
O chefe do escritório regional de Toledo da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), João Luis Raimundo Nogueira, confirma que o clima foi extremamente favorável para o bom desenvolvimento das lavouras. “Existe uma tendência de que a média de produtividade estimada inicialmente seja superada. Em cada município houve um crescimento”, diz.
Segundo o chefe da Seab, a produtividade média está em 5,1 mil quilos por hectare, número acima dos últimos anos. A estimativa de produção do Deral é de 1,570 milhão de tonelada de milho. Isto significa que esta safra pode bater o recorde da regional, que é de 1,6 milhão de tonelada. “Já produzimos 1,5 milhão de tonelada e agora estamos na expectativa de que com tranquilidade devemos passar do recorde, que é de 1,6 milhão”, menciona.
Preocupação
Se de um lado a produtividade está acima de qualquer expectativa inicial, de outro os preços do milho deixam a desejar. Ontem (29) a saca estava sendo comercializa a R$ 13, muito abaixo do preço mínimo, que é R$ 17,46. “Temos muita preocupação com o mercado de milho, porque temos uma safra muito boa no Brasil e não há uma boa expectativa de exportação para este ano”, explica João Luis.
Por conta disso, os agricultores vão depender dos instrumentos de comercialização do governo. Ontem o governo liberou recursos para a compra de 2,030 milhões de toneladas de milho através do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP). “Temos uma safra nova que está entrando mais os estoques que temos de milho, que são altos. Dependemos dos instrumentos do governo para escoar a produção e aliviar os armazéns para receber não só a safrinha de milho, mas a de trigo também. É a única forma que temos de provocar liquidez no mercado”, analisa o profissional.
Fora isso, o Brasil depende diretamente das exportações. O país que faz uma diferença no mercado é a China, mas esta opta mais pela soja. “A China tem feito alguma compra de milho ultimamente que tem até surpreendido, mas não é suficiente para alavancar as exportações. Estas poucas compras da China quem fornece o milho normalmente são os Estados Unidos. Por isso, o mercado depende basicamente da intervenção do governo no mercado, através principalmente do PEP”, afirma o chefe regional da Seab.
Redução de área
Ainda não existem dados oficiais do Deral de Toledo de qual será a área total cultivada com o milho na safra de verão 2010/2011, mas estima-se que a queda seja significativa. “Não temos dados ainda para informar, mas através de contatos e reuniões do Deral a percepção que temos é de uma queda acentuada. A área com milho na safra de verão é pequena, mas mesmo sendo pequena sinaliza uma queda. Isso vai acontecer em função dos preços estarem nos níveis mais baixos possíveis”, informa João Luis, que acrescenta: “Os produtores estão desestimulados, até porque estão trabalhando com custo de produção muito elevado e preços muito baixos”, emenda.
Soja
Na contramão, com a soja já existe um estímulo maior. O mercado tem tido um bom suporte através da demanda. No mercado internacional dificilmente o preço ficou abaixo de US$ 9,50 o bushel, comenta o toledano. “Isso é um preço muito bom em nível de Chicago”, aponta. “Com isso, os produtores abraçam ainda mais esta cultura e reduzem a área de milho no verão, o que é ruim, porque ela (milho) contribui com a rotatividade”, conclui.
Crédito Foto: Maria Cristina Kunzler/OP
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